‘O físico Stephen Hawking é mundialmente conhecido, tanto pelo seu trabalho de divulgação científica, quanto pela sua capacidade de comunicar, apesar da doença degenerativa que o imobiliza há anos. Na sua última aparição pública, no final do ano passado, comunicava acionando o computador apenas com o movimento dos olhos, o último que lhe resta.
Agora, os deficientes físicos, mesmo aqueles totalmente paralisados, têm uma nova esperança. A FDA, órgão de saúde norte-americano, liberou os primeiros testes clínicos com uma nova tecnologia, que permite que uma pessoa controle um computador por meio de um chip implantado em seu cérebro.Chamada BrainGate (”portal do cérebro”), a nova interface neural foi projectada para permitir que os deficientes com imobilidade motora possam comunicar, ou mesmo accionar equipamentos por meio de um computador, como telefones, TV, as luzes da casa ou qualquer outro dispositivo que possa ser acoplado ao PC.O chip implantado no cérebro é um sensor do tamanho de um comprimido, que contém centenas de finíssimos eletrodos de ouro. No caso do BrainGate, ele é implantado na área do cérebro responsável pelos movimentos. Mas, noutras aplicações, poderá também ser implantado em outras áreas do cérebro, responsáveis por outros processos corporais.
O princípio de operação por detrás do BrainGate é que, com a função cerebral intacta, os sinais cerebrais são gerados mesmo que eles não sejam enviados ou não cheguem até os braços, mãos e pernas. Os sinais são interpretados e traduzidos em movimentos do cursor na tela, permitindo que, literalmente, o usuário controle o computador com o pensamento.
A empresa fabricante do dispositivo, a Cyberkinetics, anunciou que está aprimorando o sistema para que ele possa controlar diretamente dispositivos robóticos, como uma cadeira de rodas inteligente, sem depender da ligação a um computador externo.
Embora em um futuro ainda mais distante, a empresa afirma também que, potencialmente, seu sistema poderá ser utilizado para restabelecer o movimento de braços e pernas em alguns tipos de deficiência motora.’


