Depois do Trauma

Ana G.

Reciprocidade

Publicado por Ana G. em Maio 11, 2008

“… Esta deficiência é demasiado grande para considerar uma relação amorosa. Quando se tem uma relação tem que se estar convencido que se deve dar e receber na mesma proporção; com pessoas como eu existe demasiado receber e muito pouco dar…”

19 Respostas para “Reciprocidade”

  1. Mendes disse

    Acredito que todos têm muito para dar, como já disse, para mim o que é importante numa mulher é a sua mente e o seu coração e nunca a forma como caminha!
    Sei que uma namorada paraplégica me faria muito feliz e o mesmo eu lhe faria a ela, é isto a reciprocidade!
    Boa semana para todos

  2. Samantha disse

    Mendes se não é a forma como uma mulher caminha que não é importante para si mas sim a sua mente e coração, porque é que insiste nas paraplégicas????

  3. vague disse

    Eu acho que isto de dar e receber não é ‘objectivável’.

    Vou exemplificar, num contexto muito diferente, mas que ilustra a questão da dádiva.

    Qdo faço voluntariado no hospital, faço-o em resposta a um apelo interior e pq penso q posso ser útil e o meu sorriso e a minha humanidade podem confortar um pouco aquela pessoa. E faço-o com prazer, imaginando que eu também podia ou posso precisar e gostaria que me dessem atenção.
    O ambiente pode ser duro em ambientes hospitalares.

    Curioso é que eu sinto-me muito preenchida e recompensada quando dou; afinal quem dá mais? sou eu ou são as pessoas que eu ajudo? É q elas ajudam-me a mim também.

    Quanto à observação da Samantha, é pertinente e podia ser a minha; é excessivo o constante acentuar do Mendes na ‘mulher que tem de ser paraplégica’ para ele se apaixonar…

  4. Mendes disse

    Não tem necessariamente que ser! De resto ao longo da minha vida já me apaixonei por muitas que não o eram e por duas que eram e sei que me senti muito mais recompensado quando eram, talvez seja por isso que a busque, porque sinto que tenho muito para lhe dar.

  5. Ana G. disse

    Vague: a reciprocidade no amor não terá ‘leis’ muitos específicas?

  6. vague disse

    Mendes, diga-me, vc quer preencher uma ‘carência’ delas ou sua?

    Ana, não sei se a entendo. Clarifique, pf.

  7. Ana G. disse

    Vague: quis eu perguntar-lhe se não achava que no amor a questão do ‘dar’ e ‘receber’ exige uma reciprocidade que, por exemplo, no trabalho que efectua no hospital já não contempla, porque existe justamente para dar, sem esperar nada em troca a não ser grande satisfação pessoal. No amor as coisas processam-se assim?

  8. Mendes disse

    Olá Vague, na minha opinião nem todos os homens têm a inata capacidade para fazerem uma mulher paraplégica feliz, eu tenho e sinto-me muito bem ao seu lado.
    Quando tive uma namorada paraplégica, ela várias vezes me disse que já tendo tido outros namorados e nunca tinha tido nenhum com tanta apetência para entender as suas necessidades, para a ajudar e a fazer feliz.
    Foi uma experiência única e bastante recompensante, foi isso que quis dizer.

  9. Mendes disse

    A Ana concorda que há pessoas que têm inatamente mais facilidade para terem uma relação com uma pessoa paraplégica que a maioria dos mortais ??

  10. Mendes disse

    Olá Samantha espero que entenda que assim como há homens que se sentem atraídos por morenas e outros por altas eu tenho afinidade por paraplégicas, por isso, com maior facilidade consigo encontrar a beleza numa mulher para além da cadeira de rodas.

  11. Ana G. disse

    Mendes: não sei se será ‘inatamente’, pode não ser… acredito e respeito, como já tive oportunidade de o dizer aqui, que pessoas possam sentir atracção por condições fora da norma. Isso não me espanta, choca ou confunde. Aliás, é preciso que se diga que tudo o que é PRÁTICA CONSENTIDA, não pode ser aberrante nem condenável, mas sim entendido e aceite.

  12. vague disse

    Sim, o trabalho de voluntariado é essencialmente de ‘dar’ e não é expectável de todo qualquer reciprocidade. A gratificação não está na reciprocidade ( nesse caso ) mas no acto de ‘dar’ de se dar aos outros, de atenuar o anonimato frio dos hospitais onde as pessoas são necessariamente ‘casos’ e estatísticas. Humanizar é fundamental!

    No amor verdadeiro, passe o pleonasmo, acredito que é condição da sua existência a reciprocidade. Um amor não correspondido é um amor imperfeito. Um amor que é amor não impõe condições nem pré-requisitos (gosto de ti se); acontece porque sim, porque vc quando ia a entrar no café, estava aquele vizinho seu a sair, o vizinho em quem nunca tinha reparado pq até é loiro de olhos azuis e vc gosta é de morenos de olhos verdes; mas naquele preciso momento deve ter nascido um cometa no céu e houve uma chama qualquer no olhar dele que incendiou o seu e vc começou lentamente a apaixonar-se.

    A reciprocidade é o céu do amor.

  13. Samantha disse

    desculpa vague mas não concordo que um amor não correspondido seja um amor imperfeito. já amei de uma maneira perfeita e não era correspondida :( e o que é certo é que impus condições do género «vou continuar a amar-te se me amares». é claro que não me amou e eu acabei por conhecer outra pessoa e apaixonei-me libertando-me daquele amor que era perfeito no meu coração.

  14. Mendes disse

    Boa noite Ana,

    Mais uma vez acertou em todas as palavras que escreveu, penso que tem essa inata qualidade !!

  15. vague disse

    Eu acho que a Ana terá necessariamente uma formação muito abrangente e integradora e talvez mais justa. Talvez.

    Mendes, a ênfase, a meu ver excessiva, q põe nessa ‘condição’ choca-me um pouco.

    Samantha, eu entendo o que dizes:) Todos os amores são perfeitos cá dentro e não há amores certos nem errados. Eu partia de experiências q tive e cheguei à mais especial até hoje para dizer q não há amor tão resplandecente como aquele q tem eco perfeito no outro.

  16. Mendes disse

    Olá Vague,

    Entendo que a choque, eu quando me apercebi dessa atracção tb fiquei chocadao, mas depois aceitei que na vida tudo tem um lado bom e esta atracção tb o terá.

    Já tive uma namorada paraplégica e não namoro com ela, por isso essa condição não é tudo, é necessário que para além da atracção física existam mais afinidades, ao fim ao cabo é necessário que se fale a mesma “língua sem ter necessariamente que se falar o mesmo idioma!!!

  17. Mendes disse

    Olá Vague,

    Desculpe os erros mas estava a escrever em contra-relógio… com o tempo a acabar e por isso:
    “chocadao” é “chocado”…

    De qualquer das formas o importante é que essa “condição” não é tudo. Entenda tb que, o lado bom, é que, se calhar, não é tão mau ter esse tipo d atracção, apesar de chocar quem não imagina a sua existência…

  18. vague disse

    Não entenda a minha não compreensão como um julgamento moral, por favor, que não tenho nem direito nem sobretudo apetência ou tendência para fazer. Estou a falar livremente e a ser honesta, sobretudo cmg pr´pria.

  19. Burningdevil disse

    Pela primeira vez entrei por acaso neste site.
    Em primeiro lugar vou me apresentar sou Burningdevil tenho 29 anos e sofro de Spyna Bifida.
    Li com muita atenção todos os comentários.
    Percebo ambas as perspectivas desta problemática o AMOR.
    No entanto pela minha vivencia ao longo destes quase 30 anos de vida, para mim o amor foi na maior parte das vezes ou mesmo sempre algo platóniom umas vezes porque não tinha simplesmente de ser . . . outras porque ” eu contigo . . . nc!!!!!!!! isto devido á minha deficiencia.
    quando finalmente me pareceu k apareceu AKELA . . . ainda me lembro senti que aquela era diferente . . .e decidi contar lhe k usava fraldas, ao que ela respondeu se as coisas vierema a dar certo entre nós não é isso k m vai afastar de ti . … parecia musica para os meus ouvidos. . . akela senteça cravada no meu corpo pela sociedade á qual ja me tinha resignado afinal estava errada. também poderia amar nao só em termos romanticos como estava habituado mas também agora tinha alguém que me aceitava como sou, contudo a insegurança o medo, se calhar até repudio porque ela também tinha uma patologia fisica . .. se tivermos em linha de conta os padrões de beleza que hoje regem a nossa sociedade enfim . . . afastamo nos hj nao sei nada dela mas foi alguem a quem estarei sempre grato por me fazer viver.
    posto este desabafo, queria observar que nao concordo muito com a opiniao do preincipio desta página, penso que os individuos com spyna bifida como eu ou outra patologia semelhante pudemos amar e ser amados, porque amar é ja diz a expressao ” quem feio ama bonito acha” no fundo isto significa que o importante no amor é a complicidade e reciprocidade nao é termos sexuais mas em termos afectivos.
    porque o orgão principal do amor é . . .. A CABECA!!!!!!!!! que está em cima dos ombros.
    por isso e se por um lado compreendo a questão da reciprocidade acho que nao devemos restringir o alcançe dessa mesma reciprocidade e meus amigos . . .. aprendam com os erros, nao deixem que o medo vos vença e superem as vossas expectativas a todos os niveis eu por exemplo nunca pensei viver tanto tempo nem tanta coisa, nunca pensei conseguir estudar e a verdade é que estou a pouco mais de um mês de me tornar DR um conselho k nos outros patamares da vida consigo aplicar no amor é que AINDA não ( por medo, insegurança ou pura estupidez ) ” Não vivo com as dificuldades da minha doença. . .. Ela é que tem de viver comigo” espero que compreendam o alcance desta minha maxima!
    já vai longo este comentário obrigado a quem teve paciencia de o ler todo ” gabo-lhe a paciencia” boa sorte! bjs e abraços!

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