Para além do desenvolvimento da área assistencial, “a missão primordial” do Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Rovisco Pais (CMRRC – RP), o presidente do conselho de administração, Manuel Teixeira Veríssimo, pretende avançar com outros projectos. São diversas actividades ligadas à área da reabilitação, com as quais pretende rentabilizar os 144 hectares da quinta. “Temos condições para ser o melhor centro do país na área da reabilitação”, afirma o médico.
- DIÁRIO AS BEIRAS – O desenvolvimento da área assistencial tem sido a prioridade, desde que tomou posse?
- Teixeira Veríssimo – A missão do Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Rovisco Pais é oferecer cuidados de reabilitação de elevada diferenciação, muito especializados, aos doentes da região Centro. É o Centro de fim de linha no quadro da Rede de Referenciação Hospitalar de Medicina Física e de Reabilitação, recebendo doentes de todos os hospitais da região. No CMRRC o internamento começou a ser feito em Novembro de 2002, com 20 camas, mas a capacidade tem vindo a crescer. Em Dezembro de 2007 existiam 36 camas, que aumentaram para 50 em 2008 e, neste momento, existem 60 camas. Estamos apenas à espera de autorização superior para começarmos a trabalhar com mais 20 camas, que já estão prontas, e ficaremos com um total de 80.
- O plano funcional do hospital prevê a existência de cerca de 140 camas na área da reabilitação diferenciada. Serão suficientes?
- Queremos recuperar outro edifício para instalarmos mais 60 camas para reabilitação. Ficaríamos com as cerca de 140 camas previstas, que serão suficientes para dar resposta às necessidades da região Centro, segundo a rede nacional de referenciação hospitalar, e concluiríamos o projecto assistencial na área do internamento, que é o objectivo essencial do CMRRC. Para recuperar este edifício esperamos conseguir reverter parte do dinheiro da venda de alguns imóveis que o centro possui em Lisboa, que será feita pelo Ministério das Finanças.
- Para além do aumento da capacidade de internamento estão outros projectos em curso?
- Penso que o CMRRC deverá ter tudo aquilo que contribua para fechar o círculo dos interesses da reabilitação. E como temos condições excepcionais, nesta quinta com 144 hectares, podemos juntar à nossa missão central, a reabilitação de alta diferenciação, outros projectos que a complementam e podem ajudar a suportá-la até financeiramente. É nessa perspectiva que queremos criar, por um lado, o Centro de Estágio de Desporto Adaptado, com desportos náuticos e de alta competição para atletas paralímpicos, e, por outro, desenvolver o próprio desporto adaptado.
- Os cuidados continuados serão outra vertente?
- Outra componente será a dos cuidados continuados, que queremos sejam de alta qualidade. Está neste momento a decorrer o concurso para a recuperação de um edifício onde será instalada uma unidade de cuidados continuados de convalescença, de curta duração, com 60 camas. Destas, 30 camas destinam-se a doentes vítimas de AVC e outras 30 camas para doentes operados ao aparelho locomotor, por exemplo com próteses da anca ou do joelho. Temos também a hipótese de vir a ter uma unidade de média duração e reabilitação, com 30 camas, recuperando mais um edifício, e já temos luz verde do ministério para o estudo deste projecto. Pretendemos ainda criar uma residência de longa duração para deficientes, sobretudo para jovens que ficam com grandes limitações e não têm para onde ir, acabando por ser colocados em lares junto de idosos. O projecto foi apresentado à tutela e deverá avançar em breve.
- O objectivo é desenvolver áreas complementares à reabilitação?
- Exactamente. A área dos cuidados continuados, na qual poderemos vir a ter até 110 camas, é complementar à da reabilitação diferenciada, e podem beneficiar uma com a outra. Está também em fase de preparação a criação de um Centro de Reabilitação Profissional e Social, porque algumas das pessoas que aqui são internadas têm que ser readaptadas profissionalmente e há também um trabalho de reinserção social. Para isso temos um acordo com o Instituto do Emprego e Formação Profissional e, através dele, uma parceria com o Centro de Reabilitação Profissional de Gaia, que vai ajudar-nos a desenvolver essa área, que ficará num outro edifício a recuperar. Vamos ainda criar uma oficina de próteses e de ajudas técnicas, também em parceria com aquele centro de Gaia e a instalar noutro edifício, que possa fornecer estes serviços, que não existem na região. Neste projecto procuraremos também desenvolver a parceria que temos com a Universidade de Aveiro. Ou seja, não queremos ter uma oficina apenas para fazer o que já existe, mas tentar investigar e inovar.
- São projectos ambiciosos…
- O CMRRC tem condições para ser o melhor centro de reabilitação nacional e penso que poderá ser um dos melhores da Europa. Este centro não se pode limitar a oferecer o trabalho corrente, tem que ir mais longe, tem que investigar. No fundo, este centro tem que ser uma escola de reabilitação para o país. Penso que estamos no bom caminho.
- É preciso também o empenho da tutela?
- A tutela tem estado disponível sempre para nos apoiar nos projectos que apresentamos e penso que assim continuará, porque é importante para a zona Centro. Uma sociedade desenvolvida exige qualidade de vida, que só é atingida com uma boa capacidade de reabilitação das suas pessoas. E isso ainda não acontece. Não tanto no caso dos mais jovens, embora exista alguma lista de espera para internamento, aqui e no centro do Alcoitão. Mas na área do AVC continuamos a não oferecer tudo aquilo que a ciência a nível mundial tem para a reabilitação e muitos doentes que poderiam ser reabilitados ficam com muitas limitações.