Durante anos tive a martelar-me na cabeça aquela frase de T. S. Eliot. Depois passou-me com o Tempo. Quer dizer, fui, paulatinamente, desistindo. Não da frase, mas do seu significado, ou pelo menos da forma como eu o interpretava.
Acerca do esquecimento pouco há a dizer. As coisas duram o tempo que devem durar e não adianta transformar isso numa questão epistemológica. A duração das coisas é consequência da qualidade do “tecido” de que são feitas. E, a não ignorar, do empenho na manutenção que se lhes imprime.
Temos dois elementos de uma matriz muito complexa de aparência, porém extremamente frágil e fácil de apagar: o esquecimento e a duração. A surpresa reside quando o eclipse da matriz surge, muitas vezes, veloz e irreversível.
Mas falta o importante. Falta uma espécie de banda sonora que acompanha a duração das coisas e que teima em fugir ao esquecimento quando ele deveria ser Impreterível. É a Música, portanto.
Esta manhã, quando olhei para o Meu Lado Esquerdo ao acordar, lembrei-me da frase do Eliot e percebi que afinal nunca fez sentido. Quando se entra nas coisas a acreditar nas condicionantes da duração, mais vale ficar à porta.
Vês? Tão bom. Foi a Maior coisa que aprendi Contigo. Ensinaste-me que “You Are The Music While The Music Lasts” do Eliot, deverá Nesta manhã ser substituído por “You Were The Music While The Music Lasted”, da Ana.
A boa notícia é que a descoberta apenas se traduz em Ti. Logo, fiquemos assim, em Ponto-Morto. Ou seja, já Te ouvi repetidamente e não me apetece mais experimentar novas nuances do som da Tua Música. Prefiro deixar o Eliot em Paz e não ficar à porta de Nada, percebes? Quero ser capaz de entrar Sempre e absorver Tudo o que estiver dentro do Tudo.
Escuta, assim devagarinho, ao ouvido: afinal, não destruíste nada. Isn’t that funny?